Virgílio Trindade: o inesquecível (2)

22 de janeiro de 2024 Off Por João Antunes

Virgílio Trindade: o inesquecível (2) por José Ozildo dos Santos.

Texto extraído da coluna Funes do Jornal a União publicado na data de 19/01/2024.

Radialista profissional, no início de sua carreira, Virgílio Trindade trabalhou nas Rádios Itapuã (1958-1961) e Tabajara (1961-1964), ambas em João Pessoa, de onde se transferiu para a capital das Espinharas, passando a trabalhar na Rádio Espinharas, na qual, a partir 1965, com alguns intervalos, manteve-se até o final de sua produtiva existência, apresentando o programa político Radar, levado ao ar diariamente a partir das 11h25. Ainda em Patos, durante o período de 1990a 1992, ocupou os microfones do Sistema de Rádio Itatiunga.

Jornalista atuante, trabalhou no Correio da Paraíba (1960-1964) e A União (1961- 1962), tendo também inúmeros artigos publicados no Jornal da Paraíba, editado em Campina Grande. Na realidade, quase todos os periódicos publicados no estado, da década de 1970 ao início do atual século, trazem colaborações suas.

Trindade participando do Festival de Música Patoense, no palco do Cine Eldorado

Trindade participando do Festival de Música Patoense, no palco do Cine Eldorado

Amante da boa música, ele foi autor de mais de 50 composições, das quais, várias foram classificadas em festivais, realizados em Patos. Seu nome figura como coautor de diversas composições, em parceria com Antônio Emiliano, Vavá Brandão e Pinto do Acordeom, nomes expressivos na cultura estadual. Trindade participou de todos os festivais musicais realizados em Patos, da década de 1960 ao final dos anos de 1990, expondo suas composições e/ou integrando às comissões organizadoras daqueles eventos.

Desportista fanático, ele tinha umaatuação destacada no futebol patoense. Técnico do Nacional Atlético Clube(1966-1985, com alguns intervalos), da Sociedade Esportiva São Sebastião (Patos, 1970), do Treze Futebol Clube (Campina Grande, 1975) e do Esporte Clubede Patos (1976), por sua brilhante contribuição ao futebol paraibano, em 1978,foi eleito o “Técnico do Ano”.

Na vida literária, seu comportamento não foi diferente: tornou-se um nome consagrado, conhecido em todo o estado. Escrevia correta e elegantemente, sem arrodeio e sem neologismos, utilizando uma linguagem que pode ser entendida por qualquer pessoa, levando para os jornais e para tudo que escrevia, a linguagem que o povo entende, sem menosprezar a riqueza de nossa língua.

Admirado e prestigiado por todos que dele se aproximavam, o “Guerreiro” – como chamava a todos – pertenceu ao quadro de sócios efetivos do Instituto Histórico e Geográfico de Patos, onde ocupava a cadeira nº 11, cujo patrono é o inesquecível José Gomes Alves. Embora tão fecundo na crônica, Trindade somente publicou dois livros: Relíquias e O Amigo Zé Gomes. Este último, lançado durante as festividades de comemoração dos 40 anos da Fundação Francisco Mascarenhas, traça o perfil do idealizador daquela instituição educacional.

A Virgílio Trindade, a capital das Espinharas deve o registro de sua vida diária, escrita com seriedade e elegância, influenciando jovens intelectuais que se iniciam nas letras. Suas crônicas, que “são um retrato ora poético, ora realista, de Patos”, serão no futuro – disso eu tenho certeza – fontes inesgotáveis de pesquisa ao historiador, ao sociólogo, ao antropólogo, ao estudioso da vida artística e cultural patoense.

Virgílio – o conferencista – possuía o dom da palavra limpa, impressionando a todos com sua linguagem, com suas abordagens ricas em conhecimentos eexemplos de vida. Em 2003, em uma conferência, realizada na Fundação Ernani Sátiro (Funes), abordou a evolução histórica da música patoense. Em dado momento, a plateia viu-se diante de um conferencista que cantava, ao mesmo tempo em que fazia sua exposição.

Pessoalmente, Virgílio Trindade era um sujeito educado, discreto, simples, de riso fácil, sempre dedicado ao trabalho, à família, ao esporte, à vida literária etc., etc., etc. Possuidor de um equilíbrio espontâneo, franco e natural, dele não se conhece uma só atitude deselegante, censurável. Casado com dona Maria José, teve dessa união dois filhos: Roberta (professora universitária) e Ely Trindade (magistrado).

Como educador de reconhecido valor, deixou relevantes serviços prestados à cidade de Patos, tendo, inicialmente, lecionado nos colégios Roberto Simonsen e Cristo Rei. Posteriormente, na Faculdade de Ciências Econômicas, da atual Unifip. Mestre de várias gerações, cumpridor de seus deveres como professor, ainda hoje é estimado por todos os seus ex-alunos,aos quais ensinava aprendendo.

Virgílio – o homem – era possuidor de uma personalidade irresistível. Seu falecimento ocorreu em 24 de março de 2009, enlutando toda a cidade de Patos.

Desnecessário é dizer que o perfil biográfico deste ilustre patoense (por adoção) não cabe em um simples artigo. Seria
necessário um estudo mais amplo, para traçar a dimensão do homem, do intelectual que foi o professor Virgílio Trindade Monteiro, e que se encontra eternizado na memória e no coração do povo patoense, tendo seu nome lembrado designando rua, residencial, biblioteca universitária e memorial (Funes).