Adhemar da Nóbrega: patoense ilustre e desconhecido

27 de dezembro de 2023 Off Por João Antunes

Adhemar da Nóbrega: patoense ilustre e desconhecido por José Romildo de Sousa.

Texto extraído da coluna Funes do Jornal a União publicado na data de 22/12/2023.

Muitos são os filhos da cidade de Patos que atingiram em outras plagas grande sucesso no desempenho de suas profissões, mas que na sua terra de origem são totalmente desconhecidos das gerações atuais. Como exemplo poderia citar, entre muitos outros, o caso do escritor Allyrio Meira Wanderley, do religioso Dom Fernando Gomes dos Santos, do livreiro José Soares (Minerva) e do cordelista Silvino Pirauá de Lima (aclamado como o criador do romance do cordel). Outro que se enquadra neste esquecimento é o musicólogo Adhemar da Nóbrega, que desejamos registrar nesta resenha que já foi socializada tempos atrás, a importância da sua vida e da sua obra, como nos lembrou Luciano Marinho, em contato telefônico que tivemos na tarde do último 23 de novembro, quando estamos cultivando os músicos, pela passagem do seu dia que ocorreu ontem.

Adhemar Alves da Nóbrega nasceu em Patos, em 13 de setembro de 1917. Iniciou os estudos primários com sua mãe, D. Maria Ephigênia. Ainda criança, sua família transferiu-se para João Pessoa, onde estudou no Lyceu Paraibano, concluindo o curso de Humanidades. Aos 15 anos, arranjou um emprego no Jornal A União, a princípio, como revisor e, depois, como repórter e revelou-se como articulista, cronista e crítico de cinema. Nesse período adquiriu gosto pela música e estudou teoria musical e piano com Gazzi de Sá.

Com a ida do casal Gazzi e Santinha de Sá para o Rio de Janeiro, Adhemar Nóbrega assumiu a cadeira de Canto Orfeônico do Lyceu Paraibano. Tempo depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, para se dedicar aos estudos de música. Diplomou-se pelo Conservatório Nacional de Canto Orfeônico (1944) e entrou para o quadro de docentes daquela instituição, tendo sido posteriormente colaborador do maestro Heitor Villa-Lobos, fundador e diretor do Conservatório e professor nessa escola, nas disciplinas História da música e Etnografia musical. Esteve em Lisboa, Portugal, onde estudou com Edgar Willems, na Fundação Calouste Gulbenkian. Assumiu a Academia Brasileira de Música, onde ocupou a cadeira nº 1, cujo patrono é José de Anchieta, e foi o primeiro sucessor de Villa-Lobos na direção da ABM.

Adhemar da Nóbrega publicou os seguintes livros: As Bachianas Brasileiras (1971), Os Choros de Villa-Lobos (1975), ambos editados pelo Museu Villa-Lobos, e Crônicas: Presença de Villa-Lobos (livro com 125 páginas dedicado ao professor Grazzi).

Adhemar Alves da Nóbrega morreu na cidade do Rio de Janeiro, em 28 de dezembro de 1979. Com o seu falecimento, duas cidades lhes prestaram homenagens, colocando em seus logradouros o seu nome. Patos escolheu a Rua Projetada de nº 12, que fica localizada no loteamento Bairro dos Estados. E, no Rio de Janeiro, a Rua Adhemar da Nóbrega, localizada no bairro Sepetiba.