O “Gigantão do Prado”

O “Gigantão do Prado”

8 de julho de 2022 Off Por João Antunes

O “Gigantão do Prado”  por João Batista Antunes da Nóbrega Filho & Silvana Lucinei Souto.

Texto extraído da coluna Funes do Jornal a União publicado na data de 08/07/2022.

 

Tendo servido à sociedade patoense por quase três décadas como ponto de encontro cultural e de lazer para a juventude, o Cine Eldorado da Rua Pedro Firmino foi negociado pelos seus proprietários Agripino Cavalcante e Joaquim Araújo com Zé do Ouro no ano de 1971. A sala de cinema passou, então, a fazer parte da Empresa de Ci nemas São Francisco, sediada na cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte.

A nova administração empreendeu a construção daquele que seria a maior casa de exibição de cinema do Sertão da Paraíba: “Gigantão do Prado”. Localizado à Rua do Prado, o prédio era realmente gigante, uma vez que comportava até 200 pessoas, simultaneamente. O cinema passou assim, a marcar a vida de muitas pessoas, desde então servindo como fonte de lazer e cultu- ra para a população sertaneja, que podia desfrutar das exibições cine- matográficas com maior frequência e comodidade.

O recém-concluído cinema, tendo como gerente Almir Rogério dos Santos, foi inaugurado em 19 de dezembro de 1971, com o filme A primeira noite de um homem, estrelado pelo ator Dustin Hoffman. No entanto, com duas casas de exibi- ções cinematográficas em funcionamento, o empresário cometeu um erro estratégico ao dar preferência à companhia mexicana Poemex, ignorando a melhor qualidade e reputação de mercado das outras companhias concorrentes como as francesas, as norte-americanas, e as inglesas, já consagradas pelo grande público.

Outra decisão errônea foi o modelo empregado ao exibir em première os filmes no cinema do Prado e em seguida levá-los para reprises no cinema da Rua Pedro Firmino. Segundo muitos dos cinéfilos patoenses esta última decisão foi uma das causas definitivas do fechamento do São Francisco da Pedro Firmino, que foi ocupado em 1985 por uma loja de confecções.

Além disso, devido a uma gestão equivocada, à falta de bons filmes e à concorrência das novas mídias, como videocassetes e aparelhos de DVDs, o “Gigantão do Prado” também foi perdendo clientela, encerrando então suas atividades em1996. Nesse mesmo ano, o empresário Neném da Imobiliária inaugurou, nas dependências do antigo cinema, uma casa de bingo, que, devido à legislação vigente no país, fechou em 2002.

Ainda em 2002, o senhor Almir do Cinema, com um esforço hercúleo, conseguiu retomar as sessões cinematográficas no “Gigantão do Prado”, dando um sopro de esperança aos cinéfilos e fãs da Sétima Arte da cidade. Mas, infelizmente, uma grande parte do público estava migrando para as novas tecnologias e por falta de apoio o Seu Almir não conseguiu sucesso nessa empreitada.

O “Gigantão do Prado” encerrou definitivamente as suas atividades de maneira melancólica, com a exibição do filme Amigos para sempre; tendo na oportunidade, uma plateia ínfima de espectadores, diferentemente dos seus tempos de glória, quando suas dependências eram lotadas por espectadores ávidos por cultura e diversão.

O prédio do cinema foi demolido em 10 de outubro de 2008, causando tristeza e revolta na sociedade, pois naquele local, inúmeras pessoas se emocionaram e se divertiram em uma época de ouro do cinema, prestigiando apresentações das mais diversas que ali aconteceram. Por fim, a era do “Gigante do Prado” foi um marco para o Sertão da Paraíba, que infelizmente não foi preservado como patrimônio de nossa cidade.