Sertão HQ: uma década de cultura, arte e transformação

17 de abril de 2026 Off Por Funes Patos

Sertão HQ: uma década de cultura, arte e transformação por Francisco Anderson Mariano da Silva 

Texto extraído da coluna FUNES do Jornal A União publicado na data de 17/04/2026.

A realização de eventos culturais voltados à cultura pop, aos quadrinhos, ao cinema, à animação e aos jogos tem ganhado cada vez mais importância em diferentes regiões do Brasil. No Sertão paraibano, uma das iniciativas que melhor representa esse movimento é o Sertão HQ, projeto que, ao longo dos anos, se consolidou como um espaço de encontro, aprendizado, expressão artística e fortalecimento da produção cultural local. Em entrevista recente ao podcast Pode Conversar, os coordenadores Aurélio e Alex apresentaram reflexões sobre a origem do evento, os desafios enfrentados em sua trajetória e as expectativas para a sexta edição, que coincide com a celebração de dez anos de existência.

O Sertão HQ nasceu em 2016 com a proposta de reunir, em um mesmo ambiente, pessoas interessadas em diferentes linguagens da cultura contemporânea. Em uma região muitas vezes afastada dos grandes circuitos de eventos culturais, a iniciativa surgiu como resposta à necessidade de criar um espaço acessível para o público apaixonado por
histórias em quadrinhos, ilustração, audiovisual, cosplay, literatura e games. A primeira edição aconteceu na Praça Getúlio Vargas, em Patos, e já demonstrava o potencial do projeto para mobilizar públicos diversos, conectando jovens, artistas e admiradores da cultura geek e pop.

Desde o início, o evento mostrou que era possível fazer cultura de forma descentralizada. Os primeiros anos exigiram esforço redobrado dos organizadores, especialmente diante da limitação de recursos e da dificuldade de obter apoio institucional. Ainda assim, o evento conseguiu crescer e alcançar novas cidades, como Coremas, Sousa e Itaporanga.

O Sertão HQ não se manteve vivo por acaso, mas pela dedicação de pessoas que acreditaram no valor da arte como instrumento de formação, diálogo e transformação social. A interrupção provocada pela pandemia foi um dos momentos mais difíceis dessa caminhada, exigindo reinvenção e paciência. No entanto, a pausa não representou o fim do projeto, e sim um período de espera até que fosse possível retomar as atividades com nova força.

Ao completar uma década, o evento demonstra maturidade e solidez. Isso mostra que iniciativas culturais realizadas fora dos grandes centros podem, sim, alcançar relevância e continuidade, desde que encontrem apoio, organização e vínculo real com o território em que atuam.
(continua)