“Primeiros Traços”: uma porta aberta para a arte
10 de abril de 2026“Primeiros Traços”: uma porta aberta para a arte.
Texto extraído da coluna FUNES do Jornal A União publicado na data de 10/04/2026.
Compreendendo o título do curso de pintura na Funes Cultural como uma porta aberta para um mundo de deslumbres artísticos, “Primeiros Traços” tem por principal objetivo democratizar o ensino de arte na cidade de Patos. Ele nasce com o propósito de ensinar a arte milenar da pintura em tela em suas diversas linguagens e possibilidades, tanto tradicionais quanto contemporâneas.
Para isso, é importante conhecer a história da arte, seus conceitos e desdobramentos frente às diversas formas de se comunicar, pois sabe-se que o registro de imagens antecede inclusive a própria escrita. Entendendo que letras também são desenhos, o ato de desenhar, seja através de incisões sobre pedras ou registros sobre papiros, foi uma das primeiras formas de explanar fatos, sentidos e sentimentos na humanidade.
Diante de um universo vasto, através do curso, será possível conhecer e fazer artes figurativas e/ ou abstratas, que perpassam pelas paisagens, naturezas-mortas, retratos e abstracionismos figurativos ou informais, além de observarmos a grandiosidade da arte brasileira, nordestina, paraibana e sertaneja.
Aqui, o nosso território serve como elemento cultural passível de observação e construção artística, e desse modo ações como observar a luz recaindo sobre os objetos e projetando sombras, o movimento que o vento direciona às folhas das árvores ou a paleta de cores que a luz do sol constrói sobre cada horário do dia em uma paisagem serão ações rotineiras em olhares treinados e, sobretudo, sensíveis.
Através desse curso, onde cada aula apresenta fundamentos teóricos e técnicos da pintura, espera-se que seja uma ponte para que cada aluno e aluna experimentem e desenvolvam suas linguagens próprias, através de suas particularidades, vivências e sentidos, compreendendo que a observação de si e do próprio meio é um ponto de partida, visto que o sentir antecede o fazer.
Assim, a própria realidade destes servirá como elemento de inspiração para desenvolverem uma linguagem subjetiva, convidando-os a observar o cotidiano como um componente passível de intervenção artística. A exemplo disso, vê-se a importância da aula com materiais não tradicionais, onde explora se as diversas possibilidades de pintar com materiais orgânicos que fogem da tinta acrílica, entendendo que esta funciona como um plástico líquido sobre um suporte.
Para elucidar esses materiais, temos o café e a terra colhida no próprio espaço em que vivem. Assim, há a possibilidade de fazer ilustrações em aquarelas que, por si só, já contam histórias e aproximam as possibilidades de fazer arte com menos impasses, considerando que o acesso aos materiais representa um desafio para muitos estudantes da arte.
As aulas são ministradas pelo artista visual e professor de pintura Frankleyson Brasileiro, natural da cidade de Patos, sonhador e poeta visual, que sonhava com a oportunidade de ensinar seus aprimoramentos técnicos através de um curso que promovesse um acesso gratuito ao conhecimento de arte. Para o artista, esse curso é como “a flor que nasce no asfalto”, tomando os termos de Carlos Drummond de Andrade, visto que há a esperança de formar diversos artistas, sensíveis e disruptivos, em um território difícil de semear.
Por fim, tomando os termos do autor Ferreira Gullar, onde afirma que “a arte existe porque a vida não basta”, é possível observar que a existência humana, frente a todas as suas possibilidades, seria impensável sem a arte, visto que esta é um elemento que preenche a expansão do universo como um modo de registrar a vida com todos os seus complexos, contradições, dores e delícias.
É um dos modos de afirmar que estamos vivendo, sentindo, resistindo e, principalmente, sonhando. Assim, o curso “Primeiros Traços” é uma semente plantada para que nasçam flores que atravessem artisticamente os educandos, pois entende-se que atravessar é diferente de distrair.
