Fundação Ernani Sátyro
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  • JESSIER QUIRINO FAZ APRESENTAÇÃO NO ANIVERSÁRIO DA FUNES
  • Funes Promove 9ª Mostra Patoense de Músicas Carnavalescas
  • CHICOSHIKO REALIZARÁ OFICINA E LANÇAMENTO DE LIVRO NA FUNES
  • Governo do Estado Promove 8a. Edição do Cinema na FUNES

A Cidade de Patos

Patos, a Morada do Sol

O atual estádio de desenvolvimento que atravessa a cidade de Patos pode ser muito bem avaliado através da sua evolução urbanística, da marcante importância educacional que a mesma representa para a região em que se encontra e a sua consistente e diversificada rede comercial, abastecendo um número bastante significativo de municípios circunvizinhos e, até mesmo de outros estados do Nordeste.

E, toda essa história, teve início em meados do século XVII, quando os “Oliveira Ledo”, partindo da Casa da Torre de Garcia D’Ávila, no recôncavo baiano, desceram o Rio São Francisco e chegaram ao lugar onde hoje se encontra edificado o município de Patos. Ali instalaram as suas primeiras fazendas de gado.

Com a chegada do elemento branco ao interland, renhida luta foi travada com as duas aguerridas tribos indígenas que já habitavam aquela localidade: os Pegas e os Panatis, membros da grande família dos Cariris.

A denominação do povoado surgiu de uma lagoa que ficava situada bem próxima ao Rio Espinharas que, atualmente contorna a cidade. A lagoa vivia repleta de gansos, marrecos e patos. Ao redor dela, foram surgindo as primeiras edificações.

O povoado, que pertenceu inicialmente a Pombal, foi emancipado em 1933, adquirindo sua condição de Vila e a demarcação municipal. No dia 22 de agosto do mesmo ano foi instalada a sua Câmara de Vereadores.

A vila passou à condição de cidade em 24 de outubro de 1903, graças à Lei nº 200, que foi sancionada pelo Presidente do Estado da Paraíba, Desembargador José Peregrino de Araújo.

A religiosidade sempre foi um ponto forte na vida do povo patoense. A primeira ermida, a atual igreja da Conceição, foi construída em 1772, nas terras doadas por Paulo Mendes de Figueiredo e João Gomes de Melo – fundadores do povoado. Hoje, Patos é sede do bispado e tem em Dom Manuel dos Reis Farias o seu bispo diocesano.

Padre Fernando Gomes, um dos vigários de Patos que sempre tem seu fecundo paroquiato lembrado pela comunidade patoense, foi muito feliz ao escrever o poema dedicado à padroeira da cidade – Nossa Senhora da Guia – que se tornou o seu hino, principalmente, quando nos dois primeiros versos ele ratificou o fato histórico que evidencia a fundação do povoado em cima da fé católica: “Volve um olhar risonho sobre Patos/Que é tua desde o seu primeiro dia.”.

Patos ocupa uma área de 508,7 km2, com uma altitude de 245 metros acima do nível do mar, possuindo o distrito de Santa Gertrudes interligado à cidade.

Seu clima é quente e seco, com temperaturas oscilando entre 34º e 36º, no verão durante o dia, caindo um pouco à noite. No inverno, a temperatura média fica em torno de 32º durante o dia e 22º à noite. Nos meses de setembro a dezembro ocorrem as temperaturas mais elevadas do ano. Este perfil climatológico serviu para dar à cidade o título de “A Morada do Sol”.

Distante 300 km da capital do Estado, ligado através da BR-230, o município tem hoje uma população estimada em 100 mil habitantes.

O setor calçadista e de confecções tem, atualmente, uma influência significativa na economia do Município. Num passado não muito distante, o binômio Agricultura e pecuária também contribuíram de maneira substanciosa com o desenvolvimento da urbe. Quem não se lembra das famosas e concorridas feiras de gado que aconteciam semanalmente no Bairro do São Sebastião?!…Nos últimos tempos, o turismo de eventos vem ganhando muito espaço dentro desse contexto, a exemplo dos carnavais fora de época, a tradicional Festa de Setembro, em homenagem à padroeira Nossa Senhora da Guia e os Festejos Juninos, todos eles já consolidados no calendário de evento da cidade.

A segunda-feira é o dia da semana onde ocorre a tradicional feira de Patos. O mercado central e as suas imediações ficam completamente “coalhados” de tantos feirantes. Muitos deles aproveitam a oportunidade para fazer uma “fezinha” na Missa das 10 horas, a eles dedicada.. Outros, entretanto, caminham o dia todo, por meio das barracas do mercado, parando aqui e acolá, para apreciarem um bom desafio de violeiros ou um afamado aboiador, enquanto vão tomando “umas e outras” com tira-gosto de buchada, picado de bode, galinha de capoeira, costela de porco, etc., sempre “puxando conversa” sobre as grandes secas, os invernos vigorosos, uma vaquejada inesquecível e, até mesmo, o preço da arroba do boi ou do algodão. Tem feirante que exagera tanto na “dose” e chega mesmo a perder o “caminhão da feira”, tendo sérias dificuldades para encontrar o caminho de volta para casa.

Portadora de um importante patrimônio histórico, cultural e artístico, a cidade vem realizando debates sobre a sua preservação e algumas iniciativas já tão aplaudidas pela população local, como é o caso da total restauração do Paço Municipal, denominado Palácio Clóvis Sátiro – numa homenagem ao seu construtor e, ainda, nesta perspectiva, nada menos do que 30 prédios já foram catalogados na cidade para um futuro tombamento, sendo a Estação Ferroviária já “protegida” pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (IPHAEP).

Em Patos muito se tem para descobrir e visitar. Algo interessante é a Procissão dos Homens – única no gênero na região – que é realizada sempre à meia-noite da quinta-feira da Semana Santa. O cortejo passa pelas principais avenidas da cidade e os devotos vão rezando e cantando, conduzindo o caixão com o Senhor Morto.

Quase ninguém sabe, mas em Patos existe um obelisco numa pracinha situada bem em frente da usina Horácio Nóbrega que registra a importância que teve a cidade no eclipse total do Sol em 1940. Sem falar no Santuário Cruz da Menina, local de oração e pagamento de promessas à criança que morreu espancada pela madrasta e virou “santa do povo” ao atender o pedido de um agricultor que andava em busca de água para a sua “criação”.

O Município – na área educacional – possui, além de inúmeros estabelecimentos de ensino fundamental e médio, três instituições à nível superior: a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Universidade Estadual da Paraíba e a Fundação Francisco Mascarenhas, mantenedora das Faculdades Integradas de Patos. De grande referência no ensino de Patos sempre foram o Ginásio Diocesano e o Educandário Cristo Rei, sem esquecer o Grupo Escolar Rio Branco, que também marcou época na história da cidade.

No setor futebolístico, Patos dispõe do Estádio Municipal José Cavalcanti, onde o Nacional Atlético Clube (campeão do campeonato paraibano de futebol no ano de 2007) e o Esporte Clube de Patos (campeão paraibano da 2ª divisão em 2005) proporcionam grandes alegrias aos seus torcedores nas tardes de domingo.

A “Princesa do Sertão” conta com uma extensa lista de filhos ilustres e, aqui queremos referenciar alguns dentro das suas atividades trabalhistas, que já “partiram” e que tiveram uma importância fundamental para o Município: vale relembrar o ex-ministro Ernani Sátyro, único patoense a governar a Paraíba, João Rodrigues Coriolano de Medeiros, fundador da Academia Paraibana de Letras, Dom Fernando Gomes dos Santos, construtor da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia e Allyrio Meira Wanderley, escritor de renome nacional.

Patos avança num ritmo de muito trabalho e progresso, buscando estar entre as cidades que mais se destacam no Estado, expandindo-se em seus limites. Seus filhos, que por algum motivo tiveram que deixar sua “terrinha”, hoje se espantam com alegria ao ver a imensidão de um processo progressista que vem dando certo.

Atitude e dedicação são os nomes que levam Patos, Cidade Centenária – a comemorar toda sua edificação, todo o seu crescimento habitacional, dando aos seus filhos, nativos e adotivos, o orgulho de mais de um século de história, contada em cada rua, em cada esquina, por pessoas inolvidáveis e pela própria posição que a cidade se encontra, pois o que vemos não podemos negar com palavras. Patos, por si só, renova a cada dia a esperança de todos no contínuo processo de elevação, contando com a força e luta dos seus munícipes, para fazerem desta cidade um lugar de trabalho, prosperidade e de um futuro cada vez mais promissor.

E como é bom nela se viver!…

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(*) – Texto adaptado do livro À Procura do Tempo Perdido, um Olhar Saudosista sobre Patos, do escritor José Romildo de Sousa, comemorativo do centenário da cidade de Patos (2003).