Superando limites
2 de fevereiro de 2026Superando limites Por Francisco Anderson Mariano da Silva.
Texto extraído da coluna FUNES do Jornal A União publicado na data de 16/01/2026.
A educação pública paraibana segue colhendo frutos de trajetórias construídas com esforço, inclusão e compromisso social, reafirmando seu papel como elemento estruturante da cultura e do desenvolvimento humano no interior do estado. Exemplo disso é o professor Francisco Anderson Mariano da Silva, egresso do Centro de Ciências Exatas e Aplicadas (CCEA) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e atual professor substituto do curso de Ciência da Computação da instituição, que concluiu o doutorado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Natural do município de Conceição, no Sertão da Paraíba, Francisco Anderson, 38 anos, reside há 18 anos em Patos, cidade que se tornou o principal espaço de sua formação acadêmica, profissional e familiar. Filho de uma família humilde, encontrou na educação pública superior a principal via de transformação social, consolidando uma trajetória marcada pela perseverança, pelo apoio coletivo e pela valorização das universidades públicas como espaços de produção cultural e científica.
O ingresso na UEPB ocorreu em 2007, no curso de Licenciatura em Computação, concluído em 2011. Durante a graduação no campus de Patos, participou de projetos de extensão e programas institucionais, como o Programa de Extensão em Informática Básica, voltado a estudantes da rede pública, e o Programa Hermes, além de integrar o colegiado do curso. Essas experiências fortaleceram sua permanência acadêmica e ampliaram sua vivência institucional, contribuindo para a construção de uma cultura universitária pautada na inclusão, no acesso ao conhecimento e no compromisso com a comunidade local.
Paralelamente aos estudos, atuou no setor privado em empresas de contabilidade em Patos, conciliando trabalho e formação acadêmica. Antes disso, ainda em Conceição, foi estagiário do Banco do Brasil e colaborou com atividades administrativas na Câmara Municipal, experiências que contribuíram para sua formação profissional inicial. Ao longo da carreira, também atuou como professor em programas de qualificação profissional, como Pronatec e ProJovem Urbano, além de ter sido docente em escola profissionalizante e tutor do e-Proinfo, ampliando sua atuação na educação profissional e tecnológica. Entre 2017 e 2020, exerceu a função de técnico administrativo na Escola Normal Dom Expedito Eduardo de Oliveira, mantendo vínculo direto com a educação pública estadual e com a cultura educacional do Sertão paraibano.
Na própria UEPB, deu continuidade à sua formação acadêmica, concluindo a Especialização em Fundamentos da Educação, entre 2013 e 2014, e o mestrado em Ciência e Tecnologia em Saúde, entre 2018 e 2019, fortalecendo uma atuação interdisciplinar entre computação, educação e saúde. O título de doutor em Ciência da Computação foi homologado em 18 de dezembro de 2025, pela Unifesp. A pesquisa desenvolvida teve como foco a avaliação da qualidade de jogos sérios aplicados ao ensino na área da saúde, contribuindo para o avanço das tecnologias educacionais.
A conclusão do doutorado ganha ainda mais relevância pelo contexto em que foi realizada. O ingresso no programa ocorreu em 2020, durante a pandemia da Covid-19, com todas as atividades desenvolvidas de forma remota, a partir da Paraíba, enquanto o curso é sediado em São José dos Campos, em São Paulo. O percurso exigiu disciplina, resiliência e forte apoio familiar e institucional. Nesse processo, destaca-se o papel do orientador, professor e doutor Tiago Silva da Silva, que acreditou no potencial do pesquisador desde o início e contribuiu para a viabilização de bolsa de estudos, elemento decisivo para a realização do doutorado. Além disso, o percurso também evidencia a importância de políticas de inclusão no Ensino Superior: Francisco Anderson convive com deficiência visual, apresentando cegueira total no olho direito, condição presente durante toda a sua trajetória acadêmica e profissional, sem que isso limitasse sua atuação, reafirmando o papel da educação pública no enfrentamento de barreiras e na ampliação do acesso à cultura acadêmica.
Atualmente, Francisco Anderson atua como professor substituto do curso de Ciência da Computação do CCEA/UEPB, tendo já lecionado nos quatro cursos do centro, com atuação destacada no curso de Administração, fortalecendo a integração entre tecnologia, gestão e sistemas de informação no campus de Patos. Integra o Projeto Sempre UEPB, voltado à permanência estudantil, além dos grupos de pesquisa Inteligência Artificial e Sociedade e Interactive Applications Lab (Interapps). Casado com Yslenne e pai de Bernardo, de um ano, destaca sua identidade como egresso da UEPB e reforça que sua trajetória é resultado do esforço coletivo e do papel transformador da universidade pública paraibana, especialmente no interior do estado. Ao concluir mais essa etapa, expressa sua gratidão a Deus e reafirma sua fé com a passagem bíblica que o acompanha: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (“Eclesiastes”, 3:1)
